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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Interatividade no ambiente natural como processo de construção da Consciência Ambiental



A Interatividade no ambiente natural como processo de construção da Consciência Ambiental.



Conforme a pedagogia Walloniana que, considera que o sujeito construí-se nas suas interações com o meio: “Wallon propõe o estudo contextualizado das condutas infantis, buscando compreender em cada fase do desenvolvimento , sistemas de relações estabelecidas entre a criança e o ambiente”, GALVÃO,l em (Henri Wallon - Uma Concepção dialética do Desenvolvimento Infantil), e sendo o ambiente natural um meio ótimo e possível para que ocorra esses sistemas de relações ou interações , então , não se pode abrir mão dessa possibilidade. Considerando-se a interatividade o processo pelo qual passa a verdadeira aprendizagem, acreditou ser ela a chave para a compreensão dessa visão de totalidade que aspiramos.


Em Teoria Geral da Interatividade (NASSER-J.M.), a “interatividade” pode ser definida como “o atributo de duas entidades que se relacionam”. Tendo a interatividade como processo de construção dessa consciência holística ( holístico - do grego holos , ‘totalidade’ , refere-se a uma compreensão da realidade em função de totalidades integradas cujas propriedades não podem ser reduzidas a unidades menores ), que almejamos alcançar sobre o ambiente, devemos levar em conta principalmente o meio onde essas entidades entre si e com este vão interagir. A interatividade depende mais dos sentidos que da razão. Numa sala de aula o aluno interage com o ambiente que o cerca, nesse caso com exceção dos colegas e do professor, esse ambiente (sala de aula tradicional), é artificial, (entendendo-se ambiente artificial, como aquele transformado pelo homem, não natural). Como resultado essa interação gerará atributos artificiais. Para construção do saber holístico, do ponto de vista da aquisição da consciência ambiental, toda interatividade artificial , (com objetos artificiais ou em meio artificial) é negativa. Só pode haver interatividade positiva, quando os dois objetos que entre si e com o meio interagem, façam parte desse meio. Entre homem e máquina, só pode haver uma interatividade não natural, portanto negativa. Toda interatividade negativa não pode ser suportada pelo organismo por longos período de tempo sob pena de provocar sérios distúrbios orgânicos e emocionais (estresse). A única interatividade salutar do ponto de vista do equilíbrio orgânico do ser é aquela que ocorre entre homem e meio natural. Acreditamos ser o aprendizado através da interatividade negativa, fator gerador dessa ética civilizatória ocidental no mínimo discutível, ou seja, valores humanos baseados apenas no ter e no poder, abdicando o ser e o saber.


Se propomos compreender o ambiente natural , então nossos alunos deveriam interagir também e preferencialmente com e nesse meio . Um exemplo didático embora não ecológico: “é como ensinar informática , sem usar o computador”. Ou, um exemplo filosófico: “é como ensinar o que é a cor vermelha a um cego de nascença”. O que quero dizer é que a interatividade possível de nos levar a compressão dessas relações ambientais só é possível fora desse meio (sala de aula), onde ocorre o ensino aprendizagem tradicional. Na verdade, essa compreensão independe de conhecimento científico, ou seja do saber elaborado, digamos que ela relaciona-se ao universo místico do ser humano, é o sentir, mais como se ter fé. Pôr isso é tão comum admirar-se dos índios pelo amor-devoção que sentem e dedicam à natureza. Os índios, embora nunca tenham lido um livro ou adquirido qualquer conhecimento científico formal, compreendem as relações que se dão no ambiente. Essa é a diferença: Eles vivem inseridos no ambiente , são o próprio ambiente natural.


O homem quando em seu meio natural, tem os mesmos predicados que o homem urbano ou civilizado. Possui razão e sentidos e os usa de forma natural sem dar preferência a um ou outro. Recorrendo a filosofia platônica, poderíamos dizer que esse indivíduos (os índios) não se alienaram, nem ao mundo das ideias, nem ao mundo dos sentidos. Diferente é o homem ocidental dito civilizado, que seguindo sempre a marcha do progresso, seguem também as ideologias de plantão. Ora sucumbem ao mundo das ideias (apriorismo radical), ora naufragam no mundo dos sentidos (empirismo radical). Todas as ideologias ocidentais, sem exceção, são calcadas no racionalismo de Platão, Descartes e Leibniz, até porque o termo “ideologia” refere-se a um conjunto de ideias que não se revelam na realidade, apenas na mente humana. Aristóteles, que pôr assim dizer valorizou os sentidos ou seja a natureza, apenas organizou as ideias para interpretar os sentidos, mas sempre segundo uma lógica racional. Usou os sentidos apenas para valorizar a razão. Todo o pensamento empírico derivado de Aristóteles, passando por Locke, Hume e Kant, não conseguiriam realizar uma Epistemologia do pensamento humano se não utilizassem as asserções “a priori” (racionalista) . Mesmo conhecendo a importância da razão na evolução da espécie humana, como educador, tenho que reconhecer, que ela também tem levado nossa espécie a verdadeiros becos sem saída. Toda vez que o homem se apropria da razão, isto é se civiliza, se urbaniza. Parece precipitar para o fim. Veja o quadro da História Universal. Afinal, porque as grandes civilizações do passado desapareceram? O que havia de errado com elas que não deram certo? Será que foi o modo e o meio a partir da qual seu pensamento racional evoluiu? Será que valorizaram muito essa inteligência racional? E nós, será que não valorizamos ao extremo o nosso pensamento racional científico? Até o momento, nossa civilização teve mais sorte, a ponto de tornar o Planeta uma só aldeia, o que também parece ser muito perigoso para a sorte do Planeta.


Diante do atual quadro vivido pela Biosfera, o que não é o caso de especificarmos aqui, resta nos questionar se esse modelo de inteligência desenvolvido pelo homem tecnológico é satisfatório. Será que o homem teria desaparecido enquanto espécie se não tivesse desenvolvido a razão? Será que só homem é inteligente? E as outras espécies, não possuem alguma forma de inteligência? Algumas em matéria de sobrevivência parecem até mais inteligentes que o homem. Como se explica o fato de manterem-se vivas, perpetuarem-se enquanto espécie e adaptarem-se ao meio? É necessário que, principalmente nós educadores façamos uma releitura da ciência desde os seus primórdios: do homem coletor - predador primitivo ao homem tecnológico (depredador), das primeiras comunidades naturais, até nossa civilização das grandes metrópoles artificiais. Haveremos de entender que independente de qualquer filosofia ou ideologia, o homem sempre fez ciência. Mesmo quando no passado, o homem separou Deus da Natureza, colocando- o sobre todas as coisas e desprezando a segunda, ele fez ciência. Só hoje, talvez tardiamente, quando ele redescobre a unidade entre Homem - - Deus - Natureza ele reaprende que a verdadeira ciência o homem só faz quando a natureza diz sim, e até o presente ela quase sempre tem dito não.


Não existe homem sem razão. Não existe vida sem sentidos. Todos os seres vivos pôr mais simples que sejam devem possuir algum tipo de sentido. - Poderíamos dizer algum tipo de inteligência? - Caso contrário não existiriam. Se somos sabedores que tanto razão (idéias inatas), quanto a experiência são importantes na constituição do ser humano, então porque privilegiar um em detrimento de outro? A única possibilidade de construirmos o conhecimento holístico é unindo razão e sentidos. A ciência não é gaia nem é geia antes ela é Paidéia. Por tudo isso tente não privilegiar com excesso a razão, deixando espaço para que nossos alunos sempre em contado com o meio natural, possam assim, fazer pleno uso de seus sentidos em interatividade plena com seu meio natural.


FUNDAMENTAÇÃO de 
Monografia referente ao curso de “Especialização em Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências 1° e 2º Graus”. - Professor Vicente Jerônimo de Oliveira 




Fontes: Texto de: "Proposta de uma visão holística da ciência para o exito em educação ambiental":

http://ideiaquilvicenda.blogspot.com.br/2012/10/proposta-de-uma-visao-holistica-da.html

domingo, 4 de novembro de 2012

"Inteligência Genético Sensorial"




"Inteligência Genético Sensorial"


O que vem a ser Inteligência Genético Sensorial?

Entendendo ser a interatividade fator essencial na formação da inteligência e sendo essa interatividade todos os sentidos inteligíveis resultantes entre a ação e o objeto da ação do ser que interage. 
Nesse trabalho, procuramos dar extrema valorização ao sentir (resultado do ato de agir externado através da emoção),  já que ele próprio, "o ato de sentir", resultaria da interatividade (processo pelo qual o ser constrói o conhecimento). Devido o "ato de sentir" estar vinculado diretamente aos órgãos dos sentidos (visão, tato, paladar, olfato, audição, etc,) através dos neurônios sensoriais, que nos conetam com o mundo. Procuramos pesquisar trabalhos científicos da área da inteligência e do conhecimento que valorizem os sentidos (órgãos sensoriais) no processo se construção do conhecimento e na fundamentação das atuais teorias sobre as estruturas da inteligência, na tentativa de nos conciliar com as hipóteses e teorias já existentes, mas, pouca coisa encontramos.


Por considerar o meio (ambiente) como sujeito maior das interações com nossos sentidos, buscamos nas escolas psicológicas hipóteses que destacam sua importância na formação do conhecimento. Segundo a concepção funcional (Dewey e Angel), a inteligência deve ser entendida como a capacidade da adaptação do indivíduo ao meio. E, CLARARÈDE (defensor dessa escola), em sua pedagogia coloca a inteligência como sendo a “capacidade do ser de resolver problemas novos pelo pensamento”. Sendo a base dessa teoria pedagógica a Psicologia empírica de Lucke, Berkeley e Hume, neles, como na maioria dos autores dessa escola, há uma valorização da experiência para se atingir o conhecimento. Embora deixem claro que a inteligência localiza-se no sistema nervoso central (cérebro), talvez influenciados pelos anatomistas dos primeiros séculos que claramente confundiam a inteligência apenas como ato de pensar,   (pensavam que esta se exteriorizava apenas através da razão ou seja do pensamento racional), também na Epistemologia e Psicologia do Pensamento de PIAGET, em sua tese ‘Estruturação do Pensamento Racional’, coloca-se a inteligência como sendo um processo apenas de ordem mental ou seja, coloca a mente ou o raciocínio como a única coisa ‘capaz de compreender a interação entre o objeto e a ação’, o que a nosso ver acaba também por submeter essa acão de  interatividade à razão; “é por meio da interação com o meio que o sujeito constrói suas estruturas mentais e seu conhecimento, sendo ambas indissociáveis” - (Piaget). É nisso discordamos, por achar que a 'interatividade da ação' esta mais relacionada ao 'sentir' do que ao 'pensar'. Para nós, a inteligência faz parte do processo vital, sendo a própria capacidade do ser em interagir, (executar uma ação). Na qual a razão ou seja, o pensamento, seria apenas uma nuança de todo o processo, independendo assim a ação da razão.


BION,W.R., psicanalista inglês acreditava que só é possível o aprendizado através da experiência, de aprender através da experiência, “podemos chamar a essa experiência de “ações de interação”. A experiência é o encontro do mundo interno (que é o de desejos), com o mundo externo (que é feito de realidade), ou é, o encontro do “eu" e o “outro”; uma planta, um animal, uma montanha, um ecossistema, ou outra pessoa. Se desse encontro surgir um sentido, (um aprendizado), então seremos capazes, na opinião de Bion, de alavancarmos os aspectos sadios da personalidade, expandirmos a mente pensante e utilizarmos amorosamente a parte psicótica da nossa mente que sempre nos acompanha”, extraído de Teoria Geral da Interatividade - NASSER, J.M. Acreditamos que Bion se aproxima muito daquilo que queremos entender por inteligência, quando relaciona o ato de aprender à ‘ações de interação’, estando a 'expansão mental' citada na sua obra, relacionada a esse 'saber holístico', resultado da experiência de 'máxima interatividade'. E este, não seria outro senão o "insight cognitivo". isto é, a compreensão interna das 'relações' essenciais. E no que se refere ao 'ambiente', seria a ‘consciência ambiental’, atingida, alcançada, quando o ser relaciona-se em 'interatividade máxima' com o meio.


Essa “consciência ambiental” de que tratamos, é algum tipo de ciência (saber), que independe desse conhecimento acadêmico formal. Depende sim, de um conhecimento interior, um auto-conhecimento, - (interno não externo). Ela ocorreria noutro nível estrutural de compreensão ou, tipo de inteligência. Diferente dessa que elabora raciocínios lógicos, armazena informações, ou seja, da chamada inteligência racional. PIAGET (em sua Psicologia Genética), quando trata dos estádios de desenvolvimento da inteligência racional, em seu primeiro estádio, o do 'nível cognitivo' dos 'esquemas reflexos da inteligência sensório-motora': ’’Na medida em que uma estrutura implica a existência de um certo equilíbrio dos intercâmbios cognitivos do sujeito com o mundo que o rodeia, esta condição vale postular que a nova postura da lugar a um equilíbrio, isto é, permite intercâmbios mais ricos e variados.”(PIAGET - Psicologia genética). Ele chega muito próximo do que propomos entender como ‘inteligência genético’. Pois, nessa fase, a criança reflete uma inteligência que já nasceu com ela. Por isso, não existe muita diferença entre recém nascidos de diferentes espécies de primatas, assim como também são muito semelhantes os embriões entre os mamíferos. Assim, Piaget discorda de serem as estruturas mentais pré-formadas, ou seja, programadas pelos 'genes'. E nos estádios seguintes segundo sua teoria; ‘o pré operatório', o das operações concretas e o das operações formais’, "deixa de valorizar a importância dos sentidos na formação da inteligência", pôr achar que já está constituído, ou construído, o 'núcleo do pensamento racional' sobre o qual ele elabora sua 'Epistemologia do pensamento'.


Considerando que a ‘consciência natural’, independe do pensamento racional e de qualquer saber elaborado. E sendo ela de fundamental importância na constituição do conhecimento instintivo no ser. ou relacional na espécie. Portanto, na formação da inteligência, ou de um 'novo tipo de inteligência', propomos então, nomear de inteligência genético, ou genético inteligência’, essa consciência que o ser humano possui ou adquire espontaneamente sobre a natureza. Sendo a terminologia genético, por acreditar que ela ocorra no interior de todas as células. Sendo assim, transmitida através do 'genótipo da espécie', (daí deriva-se o nome). De forma que, todo tipo de "vida é a própria inteligência". Sendo a "genético inteligência" própria da célula, aquela que faz a espécie manter-se viva e perpetuar-se. 
Segundo PIAGET - “... a carga genética estabelece o potencial racional do indivíduo, que pode ou não desenvolver- se...”. A psicologia genética piagetiana estuda as origens ou seja, a gênese da inteligência. A uma fase posterior a inteligência genético nomeamos de “inteligência genético sensorial“ou, “inteligência sensogenética”. Esta seria uma evolução da primeira e se desenvolveria nos seres vivos que já apresentam células especializadas o bastante para desempenharem função de interpretarem o mundo (o ambiente): 'os axônios ou células sensoriais'. 

A 'inteligência genético sensorial', seria então uma evolução da primeira, ou seja da 'inteligência genético'. Aparecendo nas espécies que já evoluíram o bastante para já apresentarem um 'sistema sensorial' completo ou, 'outro tipo órgão de sentido'. Essa inteligência genético sensorial localizar-se-ia assim, nas 'células sensoriais', de onde partiriam as informações (mensagens). Produzidas e já decodificadas ao nível das sinapses, rumo ao cérebro, (quando este existir). Através das célula lisas e estriadas, dos músculos do nosso sistema motor, (ex.: experiência de produção de eletricidade no músculo da rã). Assim, todo 'neurônio sensorial' ( axônios) caberia armazenar informações e fazer a transdução, ou seja torna-las inteligíveis ao celebro. Seria como se cada célula sensorial fosse um micro-chip, (ou um pequeno cérebro). Capaz por si só de decodificar as impressões do meio e traduzi-las de forma 'inteligível', ou inteligente. Podendo assim, adquirir maior ou menor importância de acordo com o grau de 'especialização' adquirido pelos 'órgãos de sentidos' na espécie. Assim, nos quirópteros (morcegos), se comparado a outros mamíferos, apresenta pequena capacidade craniana e pouca visão, sendo sua 'inteligência genético sensorial', extremamente desenvolvida, principalmente ao nível do sistema auditivo (eco-localização).


No ser humano, a 'inteligência genético sensorial' teria papel importante na fase preliminar de 'adaptação do homem ao meio'.


Segundo essa hipótese, durante sua evolução o homem teria desenvolvido de forma equilibrada diversos órgãos de sentidos, o que o possibilitaria de ‘múltiplas inteligências’, (modelo de GARDNER, H.). Supostamente, em um determinado momento de sua história evolutiva, de forma espontânea ou não, ele passou a dar preferência a 'racionalidade', ou a 'faculdade do raciocínio', em detrimento das demais.


Diferente da inteligência dita 'racional', a inteligência 'genético sensorial', não seria um sistema fechado. Pois, ela faz parte do meio, sendo sua origem anterior a 'célula ovo', ou seja, a 'proto-célula', (DNA+Coacervado). Para compreender suas estruturas seria necessário muitas e exaustivas pesquisas mas, em sendo um sistema aberto, ‘o próprio ambiente’, segundo a concepção sistêmica: (Sistema: reunião, grupo - um conjunto de elementos interligados, coordenados entre si e que funcionam como uma estrutura organizada). Seria pouco provável que seus níveis de regulação se atenham aos das estruturas cognitivas de Piaget - (Sistema fechado localizado no córtex cerebral, próprias do pensamento racional), cabendo ao ambiente, ’meio externo’ em 'interatividade' com o ‘meio interno’, (o metabolismo celular), sua 'regulação e equilíbrio'. Sendo esse processo desenvolvido ao nível da sinapses, “Sinapse: ligação-centelha entre neurônios, mas também entre neurônios e outras categorias celulares onde ocorrem a passagem dos sinais elétricos, "conduzidos através de processo eletro-químico”, sendo possível então que a 'inteligência genética sensorial' e sua evolução seja explicada segundo a (Teoria da “epigênese por estabilização seletiva"). Teoria segundo a qual, o aprendizado se dá através das sinapses realizadas ao nível do conjuntos das células nervosas, de acordo com uma “instrução do ser no 'meio' 'ambiente'. Ou seja, a cada ação ocorreriam diversas sinapses, 'formando uma combinação de conexões ao longo do sistema nervoso'. O resultado da 'ação', ou seja, o como a ação é sentida pelo indivíduo, é que determinaria a aprendizagem. Assim, a 'aprendizagem' (não confundirmos com memorização), seria o 'ato de armazenagem dos resultados das ações sinápticas nos genes do conjunto de células nervosas que sofreu a ação' ou que recebeu a informação de outra categoria celular no genoma da espécie. Assim, a aprendizagem só se dá quando o indivíduo armazena a 'ação sináptica' ou seja, quando a 'interação' é 'relevante para o ser'. Como a cada ação ocorrem milhões de ssinapses, apenas as 'novas ações' são relevantes. Sendo as outras eliminadas, “assim, para entendermos o que é ser vermelho, precisamos vê-lo pelo menos e apenas uma vez”. Assim, para CHANGEUX, aprender é também eliminar: “A epigênese exerce a sua seleção em disposições sinápticas pré-formadas. Aprender é estabilizar combinações sinápticas preestabelecidas e eliminar outras”. (CHANGEUX, J.P.- O Homem Neuronal).



Acreditamos não tratar-se 'apenas' de uma inteligência primitiva já superada pela inteligência racional, sendo o homem desde sua origem portador da 'inteligência genético sensorial' e razão da sua perpetuação. Supostamente, o que teria havido é que em determinado momento histórico, o homem passou a desenvolver o raciocínio.

Para Wallom; 'contestador do pensamento de Levi-Bruhl', que em seus estudos antropológicos ‘comparou a mentalidade da sociedade atual com a de sociedades primitivas, atribuindo racionalidade a primeira e à segunda irracionalidade, aproximando assim o conceito de que o 'pensamento da criança ao do homem primitivo, classificando ambos como 'pré-lógicos'. Wallom contesta essa posição e identifica nos 'mitos', uma tentativa racional de explicar o 'real'. Assim, afirma ser 'todo o pensamento', tanto primitivo quanto o lógico, expressão da razão. Podemos assim, separar claramente o que é 'inteligência sensível' (realidade) e 'inteligência racional'(imaginária-pensamento). Já não é tão evidente que apenas o homem e nenhuma outra espécie mais, possui o que chamamos de ‘raciocínio' - 'resolução de problemas adaptativos'. Experiências com cefalópodes (polvo), mostraram que algumas espécies são capazes de em poucos segundos abrir um vidro com tampa rosqueada e dali retirar o alimento. Portanto, não podemos mais afirmar que as outras espécies são desprovidas de 'inteligência'. Donde podemos concluir que inteligência não é apenas 'pensamento' e nem localiza-se apenas no 'cérebro', embora a este, se destine a importante tarefa de 'analisar o estímulo' e 'devolver a resposta para o sistema nervoso' (neurônios sensoriais) que traduz a percepção, armazenando ou não a mensagem, dependente de uma seleção prévia, (segundo teoria da epigênese seletiva), no gene da(s) célula(s) que sofreu ação.



Acreditamos que no homem, essa inteligência genética sensorial nasce com o indivíduo, pois, está em sua 'bagagem genética', desde o aparecimento do 'proto-homem'. Desenvolvendo-se aceleradamente até aproximadamente os dois anos de idade (estádio sensório-motora de Piaget), e a partir daí, passaria a ser reprimida pelas próprias condições ambientais; sociais e antropológicas, 'onde esta criança passa a ser criada'. ou seja, 'inserida no ambiente'. Até os dois anos, (estádio sensório-motora), a inteligência é cognitiva (Cognitivismo, teoria de AUSUBEL, David), segundo a qual, a aprendizagem é o resultado da comunicação (interação) com o meio, e se acumula sob a forma de uma riqueza de conteúdos cognitivos. A partir do estádio sensório-motora, quando a criança inicia seu contato racional com o meio, ela passaria a ser condicionada, (Teoria da Reação Condicional de PAVLOV), segundo a qual, o tipo do meio e as condições do ambiente é que irão dizer que tipo de inteligência o indivíduo irá desenvolver.


Como exemplo, de como atua os sentidos na formação da 'inteligência genético sensorial', imagine-se num quarto escuro. Onde você não possa usar qualquer órgão dos sentidos, podendo usar apenas sua inteligência racional. Procure descrever agora, o ambiente desse quarto. O que você diria? - Nada. Você nada sabe sobre ele, a não ser que 'apenas é um quarto'. Imagine agora se você puder tocar na parede, poderá dizer que sua textura é macia, se você cheirá-la dirá: - cheira tinta. Se você tocá-la com a língua dirá: - que a tinta tem um sabor cáustico. Se você liberar os ouvidos entenderá que essas paredes são finas o bastante para deixar que penetre o ruído da rua. Se você abrir os olhos vera que essa parede é branca, e que o quarto está iluminado. Outros sentidos de dirão ainda que a temperatura e a luminosidade do ambiente são agradáveis. Essas informações são suficientes para uma tomada de decisão sobre permanecer ou sair da quarto, transformado. Sendo que esta forma de 'inteligência', ligada aos órgãos dos sentidos, manifesta-se no ser humano toda vez que este 'interage diretamente no meio que o envolve'. Assim, quando PIAGET afirma: “Efetivamente, só conhecemos um objeto atuando sobre este e o transformando (da mesma forma que o organismo só reage face ao meio assimilando-o no sentido amplo do termo)”. Sobre a 'inteligência genético' sensorial, diríamos: “Só se conhece um objeto interagindo com ele no 'meio' do qual ambos fazem parte, não necessariamente transformando-o, mas sempre sendo transformado”.





Monografia referente ao curso de “Especialização em Fundamentos e Metodologia do Ensino de Ciências 1° e 2º Graus” Prof. Vicente Jerônimo de Oliveira
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Fontes:






Texto de: "Proposta de uma visão holística da ciência para o exito em educação ambiental":http://ideiaquilvicenda.blogspot.com.br/2012/10/proposta-de-uma-visao-holistica-da.html